História de Ditinho Joana


Salve Mestre Ditinho
das talhas, goivas e formão!

Salve mão que percorre
os caminhos da luz!

Salve o cerne
que em você, a figura se faz!

Barlach caboclo,
deixa que tua mão
consuma devagar
a antiga figura
da existência.

Rubens Matuk, São Paulo, Nov/94
(Ernest Barlach-escultor alemão, 1870-1938)

Benedito Silva Santos é o nome de Ditinho Joana, ex-lavrador do alto Vale do Rio Sapucaí Mirim na Serra da Mantiqueira, que abandonou enxada e foice por ferramentas de esculpir. Nascido em 12 de março de 1945, Ditinho Joana vive no Quilombo, comunidade rural no município de São Bento do Sapucaí. Iniciou seu trabalho de escultor em 1976, procurando dar forma a um pedaço de raiz que ele próprio encontrou ao capinar. O escultor Ditinho Joana usa seu talento para registrar com muita sensibilidade uma parcela representativa do povo brasileiro ainda bastante desconhecida: a comunidade rural.
Autodidata, percebeu que poderia transformar pedaços de madeira utilizando apenas canivete, machadinha e formão improvisados por ele próprio. Ainda hoje, usando as mesmas ferramentas, executa suas esculturas em um único bloco, isto é, sem encaixes ou colagens, somente esculpidas em madeira de lei como o Jacarandá e Pereira que ele próprio adquire e seleciona junto aos fazendeiros da região. Retirando a casca e a madeira, utiliza apenas o cerne, que por sua rigidez, impede a formação de trincas e carunchos que danificariam suas esculturas. Profundo conhecedor dos antigos aspectos e costumes da vida rural, trasmitiu ao seu filho Adriano Joana todo seu conhecimento e sua técnica de trabalho. Seus trabalhos foram levados para o exterior através de Gianni Gelleni, editor de artes da Bréscia, Itália. 
Ditinho Joana - Rua B, n* 42 - Bairro do Quilombo - São Bento do Sapucaí - SP.

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